Prótese parcial ou total de quadril: qual a diferença entre as duas?

Entenda o que muda entre prótese parcial ou total do quadril, quando são indicadas e como é a recuperação.

Publicado em 14 de outubro de 2026 · Leitura de 7 min · Revisão dos cirurgiões da equipe

Dois médicos conversando em frente a uma radiografia em um consultório

Escolher entre prótese parcial ou total de quadril depende do problema que atingiu a articulação e das condições de cada paciente.

A principal diferença está nas partes do quadril que serão substituídas durante a cirurgia.

Na prótese parcial, somente uma parte da articulação é trocada. Na prótese total, o procedimento substitui tanto a cabeça do fêmur quanto a região da bacia onde ela se encaixa.

Essa escolha não é feita apenas pela idade.

O ortopedista analisa o motivo da cirurgia, o estado da cartilagem, a capacidade de caminhar antes do problema e a saúde geral do paciente.

O que é a prótese total de quadril?

Na prótese total, o quadril passa a contar com novos componentes nos dois pontos de contato da articulação.

A parte arredondada do fêmur é substituída por uma cabeça artificial. Na bacia, o local onde ela se encaixa também é preparado para receber uma nova peça.

As peças artificiais formam um novo encaixe para o quadril, permitindo que a cabeça do fêmur se movimente dentro da cavidade da bacia.

Essa cirurgia é chamada de artroplastia total do quadril.

Entre os problemas que levam à indicação, destacam-se:

  • Artrose avançada do quadril
  • Necrose da cabeça do fêmur com comprometimento importante da articulação
  • Algumas fraturas do colo do fêmur
  • Doenças que destruíram a cartilagem
  • Falha de tratamentos realizados anteriormente

Nem toda dor no quadril leva à colocação de uma prótese.

A decisão entra em discussão quando o problema interfere de maneira importante na rotina e outras formas de tratamento já não entregam controle adequado dos sintomas.

O que é a prótese parcial de quadril?

Na prótese parcial de quadril, apenas a parte do fêmur que participa da articulação é substituída. O acetábulo do próprio paciente permanece.

Esse procedimento também recebe o nome de hemiartroplastia ou artroplastia parcial.

Imagine o quadril como uma bola que se movimenta dentro de uma cavidade. Na prótese parcial, troca-se a “bola”. A cavidade continua sendo a natural.

Essa diferença é importante porque a artroplastia parcial não serve para todos os problemas do quadril.

Ela aparece com frequência no tratamento de determinadas fraturas do colo do fêmur, principalmente em pacientes mais velhos.

Nesses casos, o problema está concentrado na região do fêmur e a cartilagem do acetábulo ainda apresenta condições adequadas.

A artroplastia parcial do quadril também precisa ser escolhida após avaliação individual.

Se já existir desgaste importante no acetábulo, preservar essa região nem sempre será a melhor estratégia.

Prótese parcial ou total de quadril: quando cada uma é considerada?

Não existe uma escolha única para todos os pacientes.

O diagnóstico é o ponto de partida, mas o ortopedista também observa como era a vida da pessoa antes de surgir o problema.

Um idoso que caminhava sozinho, saía de casa e mantinha uma rotina ativa pode ter necessidades diferentes de alguém com mobilidade bastante limitada antes da fratura.

Quando a prótese parcial é considerada?

A prótese parcial é bastante associada às fraturas do colo do fêmur.

Dependendo do tipo de fratura, existe risco de o osso não consolidar bem ou de a circulação da cabeça do fêmur ficar comprometida.

Nessa situação, substituir essa parte do osso passa a ser uma alternativa.

A escolha leva em conta pontos como:

  • Idade
  • Autonomia antes da fratura
  • Qualidade do osso
  • Condição da cartilagem do acetábulo
  • Doenças já existentes
  • Expectativa de mobilidade após a operação

A presença de uma fratura não significa, automaticamente, que será feita uma prótese parcial. Existem casos tratados com parafusos, placas ou outros tipos de cirurgia.

Quando a prótese total entra na avaliação?

A prótese total é considerada quando o problema compromete a articulação de maneira mais ampla.

Um exemplo conhecido é a artrose avançada. Nesse quadro, a cartilagem que cobre a cabeça do fêmur e o acetábulo já apresenta desgaste.

Trocar apenas o lado do fêmur deixaria a outra superfície comprometida.

A prótese total também é avaliada em algumas fraturas do colo do fêmur, especialmente quando o paciente era ativo antes da queda e apresenta boas condições clínicas.

O objetivo é escolher a técnica que faça sentido diante do quadro real daquela pessoa, e não simplesmente optar pela cirurgia maior ou menor.

Médica segurando as mãos de uma paciente durante a consulta

A cirurgia da prótese parcial é mais simples?

Comparar as duas cirurgias apenas pelo tamanho do procedimento deixa de fora vários fatores importantes.

Na artroplastia parcial, o cirurgião não precisa substituir o componente do acetábulo.

Mesmo assim, continua sendo uma cirurgia de grande porte e exige cuidados com anestesia, perda de sangue, risco de infecção e prevenção de trombose.

A condição do paciente também pesa muito.

Em vários casos, a prótese parcial é realizada depois de uma fratura em uma pessoa idosa.

O estado de saúde, as doenças já existentes e o impacto da própria queda tornam a preparação para a cirurgia especialmente importante.

Antes da operação, a equipe avalia o quadro clínico e organiza os cuidados necessários para aquele paciente.

A recuperação é diferente nas duas cirurgias?

A recuperação de uma artroplastia de quadril total e parcial tem vários pontos em comum.

Nos dois procedimentos, uma das preocupações iniciais é recuperar a mobilidade com segurança.

Quando existe liberação médica, o paciente começa a sentar, ficar em pé e caminhar com auxílio. Fisioterapia e exercícios orientados fazem parte da recuperação.

A evolução não segue o mesmo ritmo para todos os pacientes.

Alguns já caminhavam bem antes da operação e conseguem avançar mais rápido. Outros chegam à cirurgia com perda muscular, alterações de equilíbrio ou limitações que já existiam há bastante tempo.

O tipo de cirurgia também não determina sozinho quanto tempo será necessário para voltar às atividades.

O que interfere na recuperação?

Entre os fatores avaliados estão:

  1. Condição física antes da cirurgia.
  2. Motivo que levou à colocação da prótese.
  3. Força muscular.
  4. Equilíbrio.
  5. Idade e saúde geral.
  6. Evolução da cicatrização.
  7. Resposta à fisioterapia.

As liberações são feitas nos retornos com o cirurgião.

Tentar antecipar atividades sem essa avaliação não é recomendado, mesmo quando a dor já diminuiu.

A prótese parcial pode virar uma prótese total?

Existe essa possibilidade em algumas situações.

Como o acetábulo permanece natural na artroplastia parcial, essa região continua em contato com o componente da prótese.

Com o passar do tempo, alguns pacientes desenvolvem dor ou desgaste nessa área.

Quando os sintomas são importantes e os exames mostram alteração da articulação, o ortopedista avalia se existe indicação de converter a prótese parcial em uma prótese total.

Outra situação é o surgimento de problemas no próprio implante, como soltura, desgaste ou complicações ao redor da prótese.

A necessidade de nova cirurgia não deve ser presumida apenas porque o paciente já tem uma artroplastia parcial.

Muitos seguem em acompanhamento sem precisar dessa conversão.

A prótese total é sempre melhor?

Não.

Uma cirurgia mais ampla não significa que seja a melhor escolha para todos.

Se o acetábulo está preservado e o quadro clínico favorece uma hemiartroplastia, não existe razão para substituir uma parte saudável da articulação apenas para colocar uma prótese total.

O raciocínio também vale no sentido contrário.

Quando o acetábulo está comprometido, manter essa superfície natural em contato com uma prótese parcial pode não atender às necessidades do paciente.

É por esse motivo que exames de imagem, avaliação clínica e informações sobre a rotina anterior fazem diferença na decisão.

Como o médico decide qual prótese usar?

A decisão começa pelo motivo da cirurgia.

Em seguida, o cirurgião reúne informações que ajudam a compreender o estado da articulação e as necessidades daquela pessoa, como:

  • Tipo de lesão ou doença
  • Presença de desgaste no acetábulo
  • Qualidade óssea
  • Nível de atividade anterior
  • Autonomia para caminhar
  • Outras doenças
  • Expectativa de mobilidade
  • Riscos relacionados à cirurgia

Radiografias do quadril ajudam a avaliar a estrutura óssea e o desgaste da articulação.

Outros exames são solicitados quando existe necessidade de entender melhor alguma alteração.

Quem recebeu indicação de cirurgia também deve aproveitar a consulta para perguntar qual procedimento está sendo proposto e por quê.

Entender se será feita uma prótese parcial ou uma prótese total de quadril ajuda o paciente e a família a participarem das decisões e se prepararem melhor para a recuperação.

Perguntas frequentes sobre prótese parcial ou total

Artroplastia parcial e prótese parcial são a mesma coisa?

Sim. Artroplastia parcial e prótese parcial são termos usados para a cirurgia em que a cabeça do fêmur é substituída e o acetábulo natural é preservado.

Qual é a principal diferença entre prótese parcial ou total de quadril?

Na prótese parcial, somente o lado do fêmur é substituído. Na prótese total, o cirurgião troca a cabeça do fêmur e também a superfície do acetábulo.

A prótese parcial é usada somente em idosos?

Não existe uma regra baseada apenas na idade. A indicação depende principalmente do diagnóstico, da condição da articulação, da mobilidade anterior e da saúde geral do paciente.

Quem quebra o fêmur precisa colocar prótese?

Nem sempre. Algumas fraturas são tratadas com parafusos, placas ou outros métodos. O tipo de fratura e as características do paciente ajudam a definir a cirurgia.

A recuperação da prótese parcial é mais rápida que a total?

Não existe um prazo que sirva para todos. A recuperação depende da cirurgia realizada, do estado de saúde, da força muscular e da condição funcional que o paciente apresentava antes da operação.

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